Qual o custo implicito de investimentos ESG no mercado acionário brasileiro?
Resumo
Diversas organizações internacionais têm promovido a adoção de critérios de responsabilidade ambiental, social e de governança (ESG) como princípio para investimentos responsáveis, o que tem influenciado decisões de empresas, investidores e reguladores em diferentes mercados e países. Contudo, o debate quanto a incidência desses princípios sobre o desempenho das carteiras financeiras ainda está em aberto. Este estudo avalia qual o custo implícito para investidores ao optar por carteiras sustentáveis (ESG restritas) em comparação àquelas que priorizam apenas o retorno máximo (não restritas), no mercado brasileiro de ações. O custo é a diferença entre retornos de carteiras eficientes restritas e não restritas em ativos ESG, para o mesmo nível de risco em ambas as carteiras. Realizou-se análise empírica para quatro conjuntos de carteiras de investimentos envolvendo a seleção de ativos que compõem quatro índices do mercado brasileiro de ações, no período de 2014 a 2023. Utilizou-se o modelo de média-variância de Markowitz (1952) para seleção de carteiras de investimento, aprimorado com contribuições posteriores, com destaque à utilização do método de otimização de portfólio multiobjetivo (Carleo et al., 2017), que considera o impacto do ESG no risco e retorno esperado. Os resultados da pesquisa revelam que a preferência absoluta por ativos ESG é bastante severa à rentabilidade dos portfólios em todos os níveis de riscos examinados, exigindo maior necessidade de reconfiguração nas carteiras com alvos de riscos mais baixos. Para os investidores com preferências ESG, mas não absoluta, o estudo revelou que o relaxamento parcial dessa condição restritiva é altamente benéfico, pois o processo de otimização multiobjetivo conseguiu selecionar carteiras mais rentáveis e eficientes, apresentando retornos médios maiores, com menor dispersão, melhores Índices de Sharpe e melhores indicadores de Trade-off ESG. A pesquisa proporcionou o reconhecimento do custo histórico implícito na seleção de ativos ESG, possibilitando ao público interessado mensurar o trade-off entre retorno financeiro esperado e as preferencias alocativas de caráter social, ambiental e de governança.
Palavras-chave: seleção de carteiras; investimento sustentável (ESG); risco e retorno esperado; otimização de portfólio multiobjetivo.