Liderança Destrutiva: impactos no trabalho e estratégias de mitigação
Resumo
Esta tese investiga mecanismos contextuais e individuais que influenciam a relação
entre liderança destrutiva e experiência dos empregados, além de propor uma
abordagem prática para mitigar seus efeitos negativos. A pesquisa fundamenta-se na
Teoria Transacional do Estresse e na Teoria das Demandas e Recursos do Trabalho,
adotando a Modelagem de Equações Estruturais por Mínimos Quadrados Parciais
(PLS-SEM) para testar dois modelos teóricos. O primeiro modelo examina o papel
mediador das estratégias de enfrentamento – focadas no problema, na emoção e na
evitação – e o efeito moderador do comportamento do seguidor, definido pelo
pensamento crítico independente e pelo engajamento ativo, na relação entre liderança
destrutiva e bem-estar no trabalho. Os resultados indicam que a liderança destrutiva
compromete o bem-estar tanto de forma direta quanto por meio da mediação das
estratégias de enfrentamento: o foco no problema associa-se a níveis mais elevados
de bem-estar, enquanto a evitação está relacionada a níveis mais baixos. No entanto,
o comportamento do seguidor não demonstrou efeito moderador nessas relações. O
segundo modelo investiga a influência da liderança destrutiva sobre a desistência
silenciosa, analisando a mediação das demandas de desafio e de obstáculo, bem
como a moderação do capital psicológico. Os achados revelam que as demandas de
obstáculo intensificam a desistência silenciosa e, contrariamente ao esperado, as
demandas de desafio também estão associadas a um aumento nesse
comportamento. O capital psicológico atua como moderador, atenuando o efeito das
demandas de desafio, mas não reduzindo o impacto das demandas de obstáculo. Por
fim, o terceiro estudo propõe um roteiro prático para que as organizações enfrentem
os impactos da liderança destrutiva por meio de mudanças estruturais e
comportamentais em líderes e trabalhadores. Do ponto de vista teórico, esta tese
contribui para a literatura ao aprofundar a compreensão sobre como estratégias
individuais e fatores organizacionais interagem na relação entre liderança destrutiva,
bem-estar e desistência silenciosa. Do ponto de vista prático, oferece subsídios para
o desenvolvimento de práticas organizacionais preventivas, destacando a importância
do suporte institucional e do fortalecimento das competências individuais dos
empregados na construção de ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
Palavras-chave: liderança destrutiva; bem-estar; desistência silenciosa; estratégias
de enfrentamento; demandas do trabalho.